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Líder do Talibã diz que Sharia está acima das “leis ocidentais” no Afeganistão

O líder supremo do Talibã declarou, no domingo (30/03), que "não há necessidade" de leis ocidentais no Afeganistão, afirmando...

Líder do Talibã diz que Sharia está acima das “leis ocidentais” no Afeganistão
Líder do Talibã diz que Sharia está acima das “leis ocidentais” no Afeganistão (Foto: Reprodução)

O líder supremo do Talibã declarou, no domingo (30/03), que "não há necessidade" de leis ocidentais no Afeganistão, afirmando que a democracia está morta enquanto as leis islâmicas, descritas na Sharia, forem aplicadas.

Hibatullah Akhundzada discursou durante um sermão em comemoração ao Eid al-Fitr, um feriado islâmico, na Mesquita Eidgah, em Kandahar, no sul do país.

"Não há necessidade de leis originadas do Ocidente. Nós criaremos nossas próprias leis", disse Akhundzada ao enfatizar a importância das leis islâmicas, de acordo com o áudio de sua mensagem publicado no X pelo porta-voz-chefe do governo Talibã, Zabihullah Mujahid.

A interpretação da Sharia pelo Talibã impôs restrições às mulheres e meninas afegãs, proibindo o acesso delas à educação, de trabalhar em diversas áreas e frequentar a maioria dos espaços públicos.

Essas leis isolaram o Talibã da comunidade internacional, embora o grupo tenha conseguido formar relações diplomáticas com países como China e Emirados Árabes Unidos.

Desde que o Talibã assumiu o controle do Afeganistão em 2021, durante a retirada tumultuada das tropas dos EUA e da OTAN, Akhundzada adotou uma postura mais rígida em suas políticas, mesmo após algumas autoridades inicialmente prometerem um governo mais moderado.

Grupo terrorista

O líder supremo do grupo terrorista condenou o Ocidente em suas declarações no domingo, afirmando que os não crentes estão unidos contra os muçulmanos e que os EUA, junto a outros países, compartilham uma postura hostil ao islamismo, citando como exemplo o conflito entre Israel e o Hamas em Gaza.

Akhundzada afirmou que a democracia chegou ao fim no Afeganistão, ressaltando que a Sharia está agora em vigor. Ele também alegou que os defensores da democracia estão tentando separar o povo do governo liderado pelo Talibã.

O Talibã enfrenta pouca oposição confiável, tanto interna quanto externamente. No entanto, algumas figuras de destaque no governo têm criticado o processo de tomada de decisão da liderança, bem como a centralização do poder no círculo próximo a Akhundzada.

Alguns integrantes do Talibã defendem um maior envolvimento no cenário internacional e a flexibilização de políticas rígidas para conquistar mais apoio externo.

Nos últimos meses, o Talibã e os EUA, durante a presidência de Donald Trump, intensificaram seu engajamento, com foco principalmente em trocas e libertações de prisioneiros.